Dois quintos dos infernos

A expressão “QUINTO DOS INFERNOS” surgiu no século XVII, quando o Brasil Colônia pagava um alto tributo para Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de “O Quinto”. Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro.

Afirma-se que o termo era dirigido aos cobradores de impostos, que ao exigir o quinto ouviam algo como “Vá buscar o quinto nos infernos!

Com o passar do tempo tomou a forma atualmente utilizada, onde “NOS” foi substituído por “DOS”, ficando: “quinto dos infernos“.
E isso virou sinônimo de tudo que é ruim.

A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os “quintos atrasados” de uma única vez, no episódio conhecido como “Derrama”. Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de “Inconfidência Mineira”, que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Charge, Tiradentes na forca e o padre pergunta: qual é seu último desejo, filho e Tiradentes responde: ... quero que os políticos dest país criem vergonha!

E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente! Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, a carga tributária brasileira de 2010 chegou a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção.

A carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente “dois quintos dos infernos” de impostos…

Acompanhe o Impostômetro http://www.impostometro.org.br/

Tela do site do "impostômetro", mostrando 575.764.180.947,81 em 27/05/11 às 09:23:36 h

Para que? Para sustentar a corrupção? Os mensaleiros? O senadores e  deputados com sua legião de “diretores”, a festa das passagens, o bacanal com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar… E isto se estende aos três poderes.

Moeda de 1 real faltando pedaços

Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do “quinto dos infernos” para sustentar o que nos custa o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.

Quem diria que com o país já livre da tirania externa, mas subjugado pela tirania interna, pagamos em impostos algo próximo a “Cinco Meses” de trabalho, exclusivamente para pagar ao governo. Os outros sete meses, trabalhamos para garantir a precária contrapartida, a saúde, segurança, educação, transporte público, etc.

A luta por justiça e transparência tributária é, para a cidadania brasileira, tão relevante quanto a luta contra a ditadura. Sem justiça tributária, não há democracia, desenvolvimento ou justiça social. Daí por que sustentamos que essa é uma luta de todos: pobres e ricos, empresários e assalariados.

É mais que hora de começarmos um movimento por justiça tributária ou mesmo criarmos uma nova Inconfidência, caso contrário jamais realmente teremos uma verdadeira democracia e justiça social.

… E estão tentando implantar novamente a maldita CPMF!

1 comentário

Arquivado em Política

Uma resposta para “Dois quintos dos infernos

  1. Tá faltando mais um José da Silva Chavier , por aqui .

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