Fotografia de rua

Desde adolescente gosto de fotografia, fiz alguns cursos e li muitos livros sobre o assunto. Organizando meus negativos fiz alguns cálculos e conclui que já fiz mais de 50000 fotos, agora com a fotografia digital é mais complicado calcular. Hoje fotografamos mais e escolhemos poucas que realmente valem a pena. Antigamente ficávamos analisando a composição, luz, etc. porque ficava caro clicar de qualquer jeito, continuo tomando alguns cuidados mas é depois que faço a escolha e não raro deleto tudo.

Um fotógrafo que sempre me chamou a atenção foi Henri Cartier-Bresson (1908 -2004) um dos mais importantes fotógrafos do século XX, considerado por muitos como o pai do fotojornalismo.

Cartier-Bresson quando criança, ganhou uma câmera fotográfica Box Brownie, mas sua obsessão pelas imagens levou-o a testar uma câmera de filme 35mm. Além disto, Bresson também pintava e foi para Paris estudar artes em um estúdio.

Em 1947, junto com outros amigos, fundou a agência fotográfica Magnum, começando então um período de desenvolvimento sofisticado de seu trabalho.

Inseparável da sua Leica, viajou o mundo, contratado por revistas famosas da época. Sempre mostrando imagens do seu ponto de vista especialíssimo. Li uma matéria A fotografia de rua: a alma dos distraídos no Obvios, publicado por rejane borges que me fez lembrar as fotos de Bresson.

A fotografia de rua capta basicamente o que há de mais comum: os pequenos momentos. Os pormenores do cotidiano, aqueles a que ninguém dá muita confiança, nem se lembra, muito menos se importa. Uma mulher pensativa com sua sacola de compras a atravessar a rua, um casal de jovens a olhar uma vitrine, amigos que se encontram nas esquinas. Apenas detalhes.


Há pessoas que passam a vida toda ao nosso lado e não conseguem perceber nossa essência, muito menos a essência de certas particularidades. Porque não percebem esses detalhes, essenciais detalhes. Não captam, não intuem. Não vêem a gravidade ou a beleza das coisas se elas não estiverem evidentes. Por outro lado, há pessoas, nem tão próximas de nós, que conseguem observar estes detalhes de algum nosso momento, conseguem captar a alma de algumas nossas circunstâncias, de alguns lugares, das coisas, das horas. E o fazem por não estarem distraídos nas expressões, nos olhares e nos modos de andar alheios. E o fazem porque gostam dos outros a ponto de os outros não os aborrecerem de tédio quando estão a praticar as atividades mais comuns.

É o caso do aposentado britânico Bill Harris – apaixonado por captar esses pequenos grandes momentos, tão comuns no dia-a-dia, mas tão raros nas percepções. Bill sempre gostou de pessoas – particularmente, de observá-las. É do tipo que senta em um banco de praça, ou de um shopping, e fica o dia todo apenas a observar quem por ele passa.

Conta que sua mente faz composições, monta e arranja cenas. Vê sempre tudo enquadrado, como se seus olhos fossem uma câmara. Então começou a fotografar todas aquelas desatenções, todas as coisas que passam despercebidas.

O que Bill faz é a chamada fotografia de rua, um método um tanto despretensioso, mas original por causa da espontaneidade das fotos. Sem composições padronizadas, se criam imagens a partir do quase nada. Tudo o que se tem é o que se vê. E é excitante justamente porque é algo que não podemos controlar, como o movimento, os ângulos ou a luz. Talvez seja o método em que mais se precisa da velha e boa intuição. Ou devo dizer talento?

Na fotografia de rua, a única coisa que podemos controlar é a lente e o momento do clique, nada mais. A fotografia de rua nem dá margem para uma escolha do fotógrafo acerca do quê fotografar. Ele simplesmente fotografa porque as coisas estão acontecendo naquele instante. E a escolha do instante de fotografar é muito mais um sentimento do que uma escolha.

Obviamente, para um bom resultado é fundamental que se tenha uma câmara boa e rápida. Isso significa evitar atraso entre a pressão e o clique do botão do obturador. Se a câmara é rápida, então se consegue exatamente a imagem desejada e não o que aconteceu um décimo de segundo depois.

A essência da fotografia de rua é captar os momentos, e os momentos acontecem em um piscar de olhos, às vezes literalmente. A fotografia de rua eterniza sutilezas que durariam apenas um segundo. E já há muito se diz: os pequenos momentos….não há nada maior do que eles, não?

bill harris fotografia cotidiano quotidiano

Mais fotografias de Bill Harris podem ser conferidas em http://www.pbase.com/billharris.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Cartier-Bresson
http://obviousmag.org/archives/2011/05/a_fotografia_de_rua_a_alma_dos_distraidos.html

1 comentário

Arquivado em Curiosidades

Uma resposta para “Fotografia de rua

  1. Elza

    Fotografar é uma arte. Captar um momento único é maravilhoso. Abs

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