Um datacenter em abrigo nuclear

Por 32 anos trabalhei na Tecnologia da Informação, no início chama-se “Processamento de Dados” e tínhamos o CPD – Centro de Processamento de Dados, depois vieram o tais “DataCenters”, mania nossa de usar termos do inglês.

Obviamente conheci muitos datacenters, todos tem que ter segurança, sala cofre e muitos dispositivos, mas este aqui é bem diferente.

O escritório do arquiteto Albert France-Lanord transformou um esconderijo com o único propósito de aguentar ataques nucleares em um moderno e rochoso data center. Um dos clientes do provedor de internet é o Wikileaks. Duvida de que seja seguro?

Vivemos na era digital. Tecnologia ultrapassando tecnologia. A cada dia, algo novo surge. Um mundo que fascina, seduz e atrai milhões de consumidores diariamente. Todos renovando aquele objeto ontem ultramoderno e hoje obsoleto.

E quando o mais rústico do que temos em nossas memórias se mistura à mais moderna tecnologia? Se ficou curioso, é só dar uma olhada no Pionen White Mountain, na Suécia. O projeto arquitetônico de Albert France-Lanord é uma verdadeira mistura da tão necessitada tecnologia com o mundo das cavernas.

E não, não se trata de algum set de filmagem ou museu para obras mais hi-tech: é um local de trabalho. Mais precisamente, o Pionen é um data center de grande estilo. Entre 2007 e 2008, o antigo abrigo anti-nuclear de 1.200 m2 e situado 30 metros abaixo das pedras de granito da Berg Vita Park, em Estocolmo, passou por uma repaginada e tanto.

Para virar um provedor de internet com direito a salas e escritórios no local, o ponto de partida do projeto foi considerar a pedra como um organismo vivo (!). Uma grande rocha com toques de luz, plantas, água e tecnologia. As referências vieram direto dos filmes de ficção científica, na sua maioria ‘Silent Running’, e um monte de filmes de James Bond – alguém duvidou que ele não seria citado? – com cenografia de Ken Adams.

E depois de rochas destruídas para um espaço extra, instalações técnicas, elétricas, pintura e decoração, em 2008, a “nova casa” do prestador de serviços de internet, Bahnhof, estava pronta para ser habitada.

Resumindo toda a saga: de abrigo contra bombas durante a Segunda Guerra Mundial, o local virou um centro de defesa civil na década de 1970, para o caso de uma emergência nuclear e, hoje, aloca um dos maiores data centers da Bahnhof, capaz de empregar mais de 6.000 servidores que necessitam ser protegidos contra qualquer avaria causada por flutuações de energia.

Antes que este seja mais um texto noticiando equívocos, vale a pena deixar bem claro que, ao contrário do que foi insistentemente divulgado, o super-esconderijo secreto e capaz de resistir a uma hecatombe nuclear não é a “caverna” e muito menos foi estrategicamente planejado pelo Wikileaks, o famoso site que ganhou notoriedade ao revelar documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão.

Se a proteção extra foi ou não motivo para o Wikileaks armazenar seus dados nos servidores instalados no Pionen, não vem ao caso. O importante é que o Wikileaks é apenas mais um entre os tantos outros que guardam os dados no mesmíssimo lugar.

“Houve uma grande confusão. O Pionen não é a sede do Wikileaks. Bahnhof é nosso cliente e, de fato, um provedor de internet. Entretanto, o Wikileaks é apenas um de seus muitos clientes, não o único, e nada tem a ver com a arquitetura”, afirmou Elin Rosenberg, do Albert France-Lanord Architects.

CRÉDITOS: Empresa: Albert France-Lanord Architects. Fotógrafo: Åke E:son Lindman.

Fonte:
http://obviousmag.org/archives/2011/03/ha_gente_que_trabalha_numa_grande_caverna_com_computadores.html

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