O milagre da aspirina

Em 1999 a aspirina completou 100 anos de existência, é droga mais utilizada no combate a dor e a cada ano surgem mais indicações.
Há 2400 anos, Hipócrates já recomendava folhas de salgueiro para doenças e trabalhos de parto. Hoje, a aspirina – ácido acetilsalicílico – é a droga mais popular em todo o mundo. O chá de Sabugueiro (Sambucus nigra), no Brasil, é usado como antitérmico e analgésico. A aspirina obtida de fontes naturais é mais cara do que a produzida industrialmente.

A aspirina desde a sua descoberta está cercada de opiniões divergentes quanto ao seu uso, indicações, riscos e benefícios. Não poderia ser diferente quando se trata de sua indicação mais recente, qual seja a de prevenir as doenças cardiovasculares. A vem de acetil; Spir se refere a Spiraea ulmaria (planta que fornece o ácido salicílico); e o in era um sufixo utilizado na época, formando o nome Aspirin, que depois foi aportuguesado para Aspirina. Em alguns países, Aspirina é ainda nome comercial registrado, propriedade dos laboratórios farmacêuticos da Bayer para o composto ácido acetilsalicílico. No entanto, é igualmente reconhecido como nome genérico do princípio ativo, e é por esse nome que é habitualmente referida na literatura farmacológica e médica.

Muitos imaginam que o inventor da aspirina é um gênio: o comprimido, além de aliviar a dor, previne ataques cardíacos e possivelmente câncer. Mas poucos sabem da verdade: os seres humanos utilizam o equivalente natural da aspirina há milhares de anos.

Não há países em que o remédio seja desconhecido, negligenciado ou indisponível. O nome da “droga milagrosa” não é uma coincidência: a palavra “aspirina” vem de Spiraea, gênero biológico de arbustos que inclui fontes naturais de um ingrediente-chave da droga: o ácido salicílico.

Este ácido, presente na aspirina moderna, pode ser encontrado em jasmim, feijões, ervilhas, trevos e certas gramíneas e árvores. Os antigos egípcios já usavam a casca do salgueiro como um remédio para dor, mas não sabiam que o que estava reduzindo a temperatura corporal e a inflamação era o ácido salicílico.

Levaram milhares de anos para que as pessoas começassem a isolar os principais ingredientes da aspirina. Um clérigo do século 18, Edward Stone, praticamente redescobriu a aspirina quando escreveu um relatório sobre como a preparação de pó de casca de salgueiro parecia beneficiar 50 pacientes com malária e outras doenças.

Em 1800, pesquisadores de toda a Europa exploraram o ácido salicílico. Em 1829, o farmacêutico francês Henri Leroux o isolou. Em 1874, descobriram o ácido salicílico sintético, mas, muitas vezes, quando administrado em doses elevadas, os pacientes apresentaram náuseas e vômitos, e alguns até entraram em coma.

A aspirina como a conhecemos hoje surgiu no final de 1890, na forma de ácido acetilsalicílico, quando o químico Felix Hoffmann, da Alemanha, usou-a para aliviar o reumatismo do pai. A droga se tornou um sucesso e, em 1915, começou a ser vendida em comprimidos.

Um paciente que não deveria ter tomado aspirina foi o jovem Alexei Romanov Nicholaevich, da Rússia, que tinha hemofilia. A aspirina tornaria o sangramento desta desordem pior, mas os médicos imperiais provavelmente deram ao menino a nova droga maravilhosa sem saber disso.

Alexei, filho do último czar, possivelmente melhorou porque o místico Grigori Rasputin disse a mãe do menino para parar com os tratamentos modernos, e recorrer à cura espiritual. A influência de Rasputin sobre a família Romanov pode ter contribuído para a revolta contra ela, tornando a aspirina um possível culpado nos assassinatos e no fim da Rússia czarista.

O uso da aspirina em pacientes cardíacos veio à tona em 1948, quando o médico americano Lawrence Craven recomendou uma aspirina por dia para reduzir o risco de ataque cardíaco, com base no que tinha observado nos seus pacientes.

O Prêmio Nobel de medicina em 1982 foi concedido a pesquisadores que demonstraram a razão disso: a aspirina inibe a produção de hormônios chamados prostaglandinas. Prostaglandinas são responsáveis pela formação de coágulos que levam a ataques cardíacos e derrames cerebrais, e a aspirina impede a coagulação.

Hoje, a aspirina é universalmente reconhecida como preventiva de ataque cardíaco em homens (que já tiveram ataques cardíacos), e benéfica contra derrame em mulheres.

Também, recentemente, a droga foi manchete por causa de um estudo que mostrou que uma aspirina por dia parecia reduzir o risco de câncer em pelo menos 20% durante um período de 20 anos. Mas essa pesquisa tem limitações e não é totalmente comprovada.

Ainda assim, a aspirina não é necessariamente o analgésico mais usado. Em 2007, analgésicos como Advil, Tylenol e Aleve estavam entre os cinco principais analgésicos vendidos; a aspirina não. Segundo médicos, quando a pessoa está sofrendo muito, precisa de um analgésico mais forte. Na maioria dos casos, uma aspirina infantil por dia não faz ninguém se sentir melhor ou pior.

E, além de seus benefícios, é bom manter as desvantagens da aspirina em mente. Como analgésico, os efeitos da aspirina são potentes, mas de curta duração. A forma com que ela inibe as enzimas no estômago pode causar úlceras, que podem ser especialmente prejudiciais em combinação com a diminuição da coagulação.

Nenhum paciente deve apenas tomá-la, sem consultar um médico. Alguns suplementos, tais como óleo de peixe e alho, podem causar problemas de sangramento em combinação com aspirina. A aspirina não é aprovada para crianças menores de 2 anos, e deve ser usada com precaução em pessoas muito jovens por causa de uma possível ligação com a síndrome de Reye.

De qualquer forma, é provável que a aspirina tenha ainda mais benefícios que não foram descobertos ainda.

Fontes:
http://hypescience.com/o-milagre-da-aspirina/
http://edition.cnn.com/2010/HEALTH/12/22/aspirin.history/index.html

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