Corrupção nos Metrôs de São Paulo e Distrito Federal

Estamos tão acostumados, infelizmente, com a corrupção no Brasil que a gente não se abala mais. Deveríamos!
O noticiário é farto, assim como absurdo. Experimente entrar num destes portais de notícias e buscar por “corrupção”, só para ver o número de itens encontrados.

A notícia divulgada com exclusividade no Portal R7 e no Jornal da Record, no dia 14 de fevereiro de 2011 e denuncia esquema de propina nos metrôs de São Paulo e do Distrito Federal, incluindo a alemã Siemens e a francesa Alstom, empresas que venceram licitações públicas para realizar as obras do metrô paulistano, nos governos de Geraldo Alckmin e José Serra e brasiliense, no governo de José Roberto Arruda e Joaquim Roriz. São acusadas do pagamento de propinas que envolvem offshores (paraísos fiscais) sediados no Uruguai e a CPTM paulistana.

No dia 15 de fevereiro foi protocolado no Ministério Público Estadual (MPE-SP), um documento para ser anexado ao processo que desde 2008, apura denúncias de corrupção entre empresas multinacionais e o Metrô de São Paulo.
O documento sugere o pagamento em valores que ultrapassavam US$ 8 milhões, em propinas para as autoridades de São Paulo e do Distrito Federal, o que representa em torno de 7,5% do valor total dos contratos, segundo o deputado estadual Simão Pedro (PT). Foi anexada ao documento uma carta assinada por uma testemunha da Siemens que foi enviada ao porta-voz da empresa em 2008. O conteúdo escrito dá detalhes de todo esquema de repasse de verbas ao Brasil. Uma documentação bem mais ampla foi enviada em 2008, ao escritório de advocacia Nuremberg, Beckstein e Partners,  da Alemanha. Na época, o escritório atuava como uma espécie de ombusdman da Siemens.

A notícia é antiga, casos envolvendo estas empresas já circulam desde 1995, será que os governantes conseguirão camuflar e engavetar novamente a investigação que está sendo instaurada, inclusive por Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) nos estados envolvidos? Honestamente? Tenho certeza que não vai dar em nada!

Veja o vídeo e a íntegra da notícia:

Vídeo original em http://noticias.r7.com/videos/multinacionais-estariam-envolvidas-em-esquema-de-propina/idmedia/932ec59c6028ffa25d89f3b332426592-1.html

Depois da denúncia do R7, o governo do DF vai rever os contratos do metrô de Brasília – http://noticias.r7.com/videos/governo-do-df-vai-rever-contratos-do-metro-de-brasilia/idmedia/0092d3f3a200d46a9d5463cda209bc72.html

Como disse no início, o caso é antigo, os meios de comunicações, assim como os jornalistas e colunistas informam, denunciam e esclarecem, mas também desinformam e acobertam, cabe a você tentar decifrar a intenção e os interesses envolvidos. Também é preciso tomar muito cuidado com as informações da internet, a maioria dos blogs só faz repetir a notícia, sem pesquisar e ataques gratuitos são lançados contra a mídia, muitas vezes inocentemente. Use sua cabeça!

Veja este vídeo de 2010, quando o resultado de licitação do metrô já era conhecido seis meses antes e desanime-se:
Vídeo original em
http://noticias.r7.com/videos/ministerio-publico-estadual-investiga-o-caso-da-fraude-na-licitacao-da-linha-lilas-do-metro-de-sp/idmedia/14bea144194edf168d00982d6d5401c2-1.html

Segundo a testemunha entrevistada pelo R7, o esquema envolve os contratos da linha 5 do metrô no Capão Redondo; entrega e a manutenção dos trens série 3000, conhecidos como trem alemão, para o governo paulistano e contrato para a conservação do metrô do Distrito Federal.

A Justiça britânica já investigava se Alstom pagou propina para garantir contratos públicos em SP. Os funcionários da empresa teriam pago mais de R$ 200 milhões (US$ 120 milhões) em propinas para garantir contratos públicos em todo o mundo. Parte teria vindo para o Brasil, num caso em que a Justiça Suíça já informou ao MP (Ministério Público).
Os envolvidos seriam Stephen Burgin, presidente da unidade inglesa da Alstom, e Robert Purcell, diretor financeiro.
A francesa Alstom e a alemã Siemens também foram alvos de investigações na Suíça e na Alemanha por causa da acusação de pagamento de suborno a políticos e autoridades da Europa, África, Ásia e América do Sul. Somente a Siemens teria feito pagamentos suspeitos num total de US$ 2 bilhões.
Um tribunal de Munique acusou a empresa alemã de ter pagado propina à autoridades da Nigéria, Líbia e Rússia. O ex-diretor Reinhard Siekaczek acrescentou que o esquema de corrupção atingiria ainda Brasil, Argentina, Camarões, Egito, Grécia, Polônia e Espanha.
Já a propina paga pela Alstom em diversos países, pode ter sido superior a US$ 430 milhões, de acordo com a Justiça suíça.
As duas companhias são concorrentes, mas quando conveniente, tornavam-se aliadas.
Para trazer o dinheiro ao Brasil o esquema conta com a participação das empresas Procint e Constech, sediadas na capital paulista e pertencentes aos lobistas Arthur Teixeira e Sergio Teixeira. As offshores Leraway e Gantown seriam sócias da Procint e da Constech. A testemunha mostrou cópias de contratos firmados pela Siemens da Alemanha com as duas offshores, que teriam sido utilizadas também em outros contratos com empresas como a MGE Transportes, TTetrans Sistemas Metroferroviários, Bombardier (canadense), Mitsui (japonesa) e CAF (espanhola).

Há dois anos, parte dos documentos foram enviados para o Ministério Público de São Paulo e para o Ministério Público Federal. Promotores confirmaram a veracidade de informações ali contidas. No entanto, ainda não conseguiram colher o depoimento da testemunha, localizada agora pelo R7. O promotor Valter Santin confirmou que o caso já vem sendo investigado, mas disse que não pode revelar detalhes “por ser sigiloso e envolver conexões internacionais”.

Por meio de uma nota, a Siemens diz conduzir seus negócios “dentro dos mais rígidos princípios, legais, éticos e responsáveis” e afirma não ter firmado contrato em parceria ou consórcio “com nenhum concorrente no que tange à manutenção de metrôs”.

Na mesma linha, a Alstom afirmou em um comunicado que segue “um rígido código de ética, definido e implementado por meio de sérios procedimentos, de maneira a respeitar todas as leis e regulamentações mundialmente”.  A empresa disse que está colaborando com as investigações e “até o momento, as suspeitas de irregularidades em contratos não foram comprovadas e não estão embasadas em provas concretas”.

O Metrô de São Paulo e a CPTM afirmaram, por meio de nota, que desconhecem os fatos mencionados e esclarecem que os seus contratos firmados com qualquer empresa “obedecem à legislação específica que norteia a lisura do processo licitatório, além de serem submetidos ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE)”.

Já o Metrô do DF afirmou, em nota, que desconhece as irregularidades apontadas e que “a licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal”.

Fontes:
http://www.metroviarios.org.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=643&Itemid=10

http://www.vermelho.org.br/sp/noticia.php?id_noticia=145760&id_secao=39
http://noticias.r7.com/brasil/noticias/justica-britanica-apura-se-alstom-pagou-propina-para-garantir-contratos-publicos-em-sp-20110119.html
http://noticias.r7.com/cidades/noticias/contratos-com-terceiros-seriam-parte-de-esquema-diz-fonte-20110214.html
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,alstom-e-investigada-por-pagar-propina-por-obra-em-metro,168167,0.htm
http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL454662-9356,00.html
http://correiodobrasil.com.br/rede-de-corrupcao-em-empreiteiras-do-metro-vaza-para-imprensa-paulistana/188043/
http://www1.folha.uol.com.br/poder/820054-resultado-de-licitacao-do-metro-de-sao-paulo-ja-era-conhecido-seis-meses-antes.shtml

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